quinta-feira, 14 de junho de 2018

Manifesto o Grito da Periferia - Nação Hip Hop Brasil




Por meio do fomento dos elementos pilares da cultura Hip Hop, após 13 anos de muita atuação e luta, a Nação Hip Hop Brasil chega ao seu 5º Encontro Nacional. Seja em âmbito social, cultural e\ou político, as nossas ações ocorrem, principalmente, em prol das comunidades de periferia, especialmente junto às culturas urbanas e demais ações transversais que dialogam e fortalecem o movimento Hip Hop. Ao longo de sua história, a Nação Hip Hop Brasil acompanha e contribui com as transformações no país. A Nação participa no desenvolvimento de políticas públicas que geram oportunidades para uma parcela da população que sempre ficou à margem da sociedade. Para além, oportuniza o desenvolvimento daqueles que nunca puderam de fato exercer de forma plena sua cidadania. Mesmo que privados do exercício pleno de ser cidadão é fato que esses mesmo guerreiros e guerreiras ainda são testemunhas oculares de muitas mazelas sociais que assolam o povo da periferia, principalmente a juventude preta, pobre, mulheres e LGBTs.
Ao viver em uma sociedade na qual o capital é voz soberana e algoz, presenciamos retrocessos e descasos para com aqueles que realmente precisam ser acolhidos e atendidos com condições mínimas para uma vida digna. Essa vida digna é descrita e garantida na constituição brasileira, sendo um dever de um Estado democrático assegurar, por direito, a garantia dessas condições a todos os cidadãos brasileiros. Pelos motivos citados, após muitas discussões e análises, a Nação Hip Hop Brasil apresenta nesse encontro nacional alguns eixos de reflexões e debates para que o Hip Hop se debruce sobre os temas que serão a seguir descritos. Dessa forma, a intenção é construir uma detalhada avaliação e elaborar novas perspectivas, não só para aqueles que integram o movimento, mas para todos que acreditam que o Hip Hop pode e deve ser instrumento de luta social, cultural e política. Para este conjunto de análises e apontamentos, cabe ressaltar alguns pontos que no momento atual são destaques para esse fim:





 1) Geração de Trabalho e Renda e Empreendedorismo; 

Ainda é uma dificuldade no Brasil sobreviver ou garantir condições mínimas e dignas de trabalhos para aqueles que querem exclusivamente atuar na área de produção artística e cultural (e todos os seus eixos transversais). No que refere-se ao movimento Hip Hop, mais de 90% dos protagonistas nesse segmento ainda precisam ter uma ocupação formal ou informal em outros ramos de atuação, pois, garantir trabalho e renda oriundos dos meios culturais ainda é uma sonhada vontade, mote para uma luta incansável e diária. Para que, mesmo que de forma tímida, a geração de renda e empreendimentos através do Hip Hop possam vir a ser uma constante realidade, torna-se premente destacar ideias e ações que possam vir a ser ou já são atividades desempenhadas e de positivo saldo.

2) Comunicação e Mídias; A comunicação mais do que nunca, é uma atividade pilar para a Nação Hip Hop.

É por meio dela que as principais ações e atores se conectam, é por ela que vem a sinergia no campo de pensamento e unidade de ação. E, neste sentido, entender como funcionam os meios de comunicação e suas ferramentas faz-se primordial para que sejam cada vez mais efetivas nossas iniciativas. Sem a consolidação de um canal efetivo de comunicação dentro de nossa rede, corremos o risco de ver reverberarem informações e opiniões contrárias às nossas. Um grave efeito da circulação de conteúdos que venham em desencontro a cultura Hip Hop nas mídias, será a desconstrução de um processo de formação cultural que sempre se respeitou em nossa ancestralidade africana e nossas referências griôs. Estar conectado é importante, mas saber produzir e gerenciar esses espaços e formas de comunicação é primordial. Neste aspecto, a comunicação, as mídias e seus plurais suportes e métodos precisam cada vez mais ser entendidos e explorados.

 3) Cultura e Entretenimento;

É importante entender que a Cultura Hip Hop está enraizada numa plural diversidade, que vem expressada na fala, na roupa, no estilo de vida, e no posicionamento político. O que nos une integrados em nossa rede é o universo cultural do Hip Hop com seu fundamento histórico, e é nesse caminho por onde devemos trilhar para que além da música e entretenimento, seja possível entender que a questão cultural necessita de uma base sólida e contextualizada. Nesse âmbito, é preciso compreender que o evento final de cada ação nada mais é do que todo um processo de criação e participação, e, valorizar todas estas fases e etapas é o que garante que todos possam ter voz e acolhimento neste processo. Sem essa plena compreensão, nossa cultura Hip Hop corre o risco de ser cooptada ou descaracterizada pela indústria do capital e mercado. Entender o funcionamento dessa cadeia produtiva que nos envolve é o mesmo que buscar que o resultado dessa construção venha a ser próprio do movimento Hip Hop para que seja ele mesmo o mantenedor de um saldo positivo, tanto do ponto de vista artístico e de entretenimento, quando do ponto de vista de articulação cultural.

 4) Ocupação de Espaços de Poder com Ação Política e Institucional;
É fácil verificar que é improdutivo sermos representados e\ou ficarmos na dependência e avaliação de terceiros que não entendem a cultura Hip Hop. Faz-se mais que necessário ocupar alguns espaços estratégicos, que venham a trazer de forma direta o empoderamento dos pares do Hip Hop, pois estar em espaços de decisão traz desdobramentos concretos e objetivos dos projetos que pensamos e queremos. Todo espaço de enfrentamento no campo das ideias e das decisões é importante e precisa ser nosso objetivo ocupar e atuar nesses espaços. De certo que nossa realidade apresenta-nos dificuldades para que as iniciativas do nosso movimento sejam atendidas. Porém, é nossa tarefa, por dialogar com a sociedade de forma plural (em especial com as culturas urbanas) contribuir com o processo de desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária. Para tanto, devemos aproximar e incluir diversas culturas urbanas garantindo um espaço de fala e participação, como por exemplo o skate, o funk, o reggae, o samba, entre outros.

 5) Desenvolvimento Social Educacional e Cidadania;

 Não estamos imunes às mazelas sociais e a imensa desigualdade que ainda existem no Brasil. De fato, somos as principais vítimas de um sistema ausente e omisso. Por isso, não podemos nos furtar a tarefa de promover os debates centrais que envolvem os pares da Nação Hip Hop e nossos irmãos e irmãs das comunidades periféricas. Os dados da violência contra nossos jovens, as mulheres vítimas de um cotidiano machista, são alguns exemplos de situações que devemos combater. A ausência de políticas públicas que atendam a necessidade básica de um povo e a necessidade de garantir oportunidades para o avanço social de todos e todas, refletem na nossa missão de nos fazermos presentes, cada vez mais ativos na luta pelo exercício pleno da cidadania dos guerreiros e guerreiras. O Movimento Hip Hop tem sua atuação nas bases periféricas e reconhece como poucos as bandeiras de lutas necessárias contras as desigualdades históricas que afligem nosso povo, como as sequelas do período escravagista. Temáticas como a ocupação de território e lutas pela moradia e reforma agrária, devem ser pautas permanentes e necessárias ao debate junto aos nossos núcleos, assim agregamos conhecimentos e orientações para travar as lutas pela cidadania plena e emancipação. Fiquemos atentos ao processo eleitoral e às ocupações dos espaços de poder, pois nossa participação e comprometimento neste processo serão decisivos para os desdobramentos favoráveis ou não para nossas vidas e quebradas.

5 comentários:

  1. A Paraíba tá fechada nesse gigantesco movimento que é a Nação Hip-Hop. Bora lá, o gueto precisa de uma revolução e nós seremos parte dela o/

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  2. Base sólida e contextualizada !!!

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